Domingo, 20 DE Junho 2010

Football Fans Know Better

Escrever sobre a selecção brasileira é um acto de coragem. Com um percurso riquíssimo, recheado de vitórias e talentosos jogadores, acaba por ser inglório conceber um texto onde caibam êxitos e emoção à escala planetária. Assim, ao contrário dos artigos anteriores, esta crónica é mais extensa, pois ultrapassa os aspectos meramente tácticos ao contemplar episódios históricos que dão maior substância ao tema.

O Brasil, personificado em técnicos, jogadores, jornalistas e adeptos, de uma forma geral, vive um conflito que se prende com a sua cultura (de vitória) e história futebolística. Sendo capaz de brindar os amantes do futebol com um reportório estético de excelência, o país está habituado a conquistar mundiais: 1958, 1962, 1970, 1994 e 2002. Este palmarés e capital artístico representam um catalisador de enorme exigência por parte da opinião pública, implicando um clima de elevada pressão sobre a comitiva destacada na África do Sul. Para milhões de brasileiros, ganhar um Mundial (oferecendo espectáculo) é uma obrigação. Para um, em particular (Dunga), é uma dor de cabeça.

O seleccionador nacional vive no centro da polémica, com o peso da tradição a influenciar as suas convicções e modo de pensar o «jogo». Olhando para a história dos mundiais, é difícil suplantar aquele que, para muitos, foi eleita a melhor equipa nacional de todos os tempos: o Brasil de 1970, com ‘Rei’ Pelé em plano de destaque. Na mesma perspectiva, mas com resultados que cederam à imprevisibilidade deste desporto, Hungria (1954), Holanda (1974) e Brasil (1982) são também exemplos ilustrativos de como o futebol ‘romântico’ deixou uma marca eterna para gerações futuras. A recordação de um Futebol (com maiúscula) capaz de roçar a perfeição. Depois, outros casos, menos abonatórios do ponto de vista exibicional: a vitória do Brasil em 1994.

Deste modo, de quatro em quatro anos, a expectativa recai sobre o Brasil, parâmetro de qualidade e principal referência do futebol internacional. Os adeptos, na sua generalidade, questionam-se: que Brasil teremos? Uma aproximação à equipa vitoriosa, e talentosa, de 1970? Uma selecção magnífica, contudo desencontrada com o sucesso, como a de 1982? Uma fotocópia ao conjunto conservador, mas vencedor, de 1994? Há muitas formas de ganhar, mas para os brasileiros só existe uma: goleando na relva e sambando nas bancadas.

Dunga, um resultadista, escolheu a terceira via: optou por um modelo mais pragmático, preocupado essencialmente em defender e controlar o ritmo de jogo, atacando só pela certa. Alías, a escolha dos 23 ‘canarinhos’ refelecte esta forma de entender o futebol, pois vários artistas ficaram de fora da convocatória: Ronaldinho (AC Milan) e, principalmente, os «Meninos da Vila»: Ganso (20 anos), Neymar (18 anos) e André (19 anos), este recentemnete contratado ao Santos pelo Dínamo de Kiev. Porém, o selecionador brasileiro preferiu um trilho futebolístico substancialmente diferente, igualmente repleto de virtudes que merecem ser enumeradas:

1. A defesa ‘Nerazzurri’

No sector defensivo, Dunga foi inteligente ao seleccionar três campeões europeus ao serviço do Inter de Milão. Na baliza, Júlio César é garantia de segurança. No lado direito, a dupla constituída por Maicon e Lúcio fornece à equipa um sem número de aptidões que dão um toque extra de qualidade. Todos eles têm a experiência dos grandes palcos europeus, representando um ponto favorável para a eficácia e fluidez do modelo de jogo brasileiro.

2. A solidez do meio-campo

O cabeça de área Gilberto Silva, campeão do mundo em 2002, é daqueles jogadores com que qualquer treinador gosta de contar: discreto, mas suficientemente seguro e eficiente tacticamente nas acções que desenvolve. A sua experiência e serenidade são um capital de estabilidade colectivo que não merece ser menosprezado. Depois, uns metros mais à frente, Elano (ou Ramires) e Felipe Melo equilibram a equipa nos momentos de transição, sendo o suporte certo para as investidas dos laterais e para que os homens da frente tenham tempo, e espaço, para arriscar nos duelos individuais.

3. A magia dos ‘Playmakers’

Na frente de ataque, é verdade que Luís Fabiano fica aquém de outras grandes figuras do ‘escrete’, tanto no passdo, como em competições mais recentes. No entanto, a sua capacidade finalizadora depende muito de quem pensa e cria as oportunidades golo: os médios ofensivos Kaká e Robinho. O primeiro, numa zona mais central, típica de um organizador de jogo, é o eixo giratório de toda a produção ofensiva, inventando passes de ruptura em catadupa e manobrando a circulação de bola com mestria. O segundo, interpretando o papel de avançado móvel, munido dos seus dotes de malabarista, consegue descobrir o espaço mais escondido e criar inúmeros problemas à defensiva contrária.

Em resumo, este Brasil versão 2010 contará, naturalmente, com aspectos menos brilhantes do ponto de vista estético mas, no meu entender, não merece ser tão criticável no que diz respeito à sua estrutura táctica e abordagem do modelo de jogo. Posso estar enganado, mas o trabalho de Dunga apresenta condições sérias para chegar a resultados de sucesso. A questão principal é outra e prende-se com a filosofia de jogo que o seleccionador segue religiosamente: a sua obsessão com a ordem e disciplina pode fazer com que esteja mais próximo da vitória final; contudo, devido às suas ideias conservadoras, dificilmente esta equipa será lembrada como as suas antecessoras.

publicado por stadium às 11:55
Caro Catenaccio,

Noto que os títulos brasileiros mais recentes, 1994 e 2002, foram obtidos com escretes menos espectaculares e mais criticados. A utilização de dois médios defensivos esteve na base das criticas mas também estará estado na base do sucesso, pois transmitiu ordem a fantasia que dele necessitava.
Este Brasil parece-me de uma consistência semelhante embora talvez com menor poder de decisão em posições especificas.

Cumprimentos
MS a 23 de Junho de 2010 às 07:56

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