Segunda-feira, 21 DE Junho 2010

 

 

Tão mal habituados estamos que ao intervalo deste jogo -  mesmo aceitando que por vezes assistimos a um equilíbrio de jogo cuja diferença de valia não deveria permitir - teríamos que qualificar a exibição de Portugal com nota positiva. Irrepreensível a atitude com que a equipa entrou em campo, bem exemplificada na garra de Ricardo Carvalho. Contudo, o passado recente desta equipa e a pouca confiança que os adeptos nela iam depositando por estes dias, fez com que o primeiro remate perigoso dos norte-coreanos abalasse um pouco o 11 luso. Felizmente, em tarde de quase dilúvio, foi sol de pouca dura. Uma associação perfeita entre Tiago e Raúl Meireles permitiu inaugurar o marcador e aliviar a pressão.

Não sou um grande fã de Carlos Queirós. Bom, sejamos sérios, na verdade eu acho o Queirós um incompetente a nível sénior. Não é uma opinião de hoje, nem de ontem, é de sempre. Mas hoje farei um elogio, talvez errado, por absoluto desconhecimento do que realmente se passa no balneário ao intervalo. Mas arrisco dizer que o que fez, ou o que disse, foi bem feito, ou foi bem dito. Perante um opositor que hoje se apresentou um pouco mais aberto que frente ao Brasil, Portugal entrou para a segunda parte com um claro objectivo: matar o jogo o mais rapidamente possível. E consegui-o. O marcador avolumou-se por isso de forma natural perante o desalento dos jogadores da Coreia do Norte.

Não será fácil retirar grandes ilações desta exibição, em virtude da fraca oposição norte-coreana. Tiago e Raúl Meireles entenderam-se muito bem, deram até a ilusão que este 433 poderá funcionar melhor sem um organizador definido, mas como seria contra outro adversário, menos macio, mais inteligente? E talvez Miguel tenha ganho o lugar a Paulo Ferreira, mas será que o defesa do Chelsea não apresentaria trabalho semelhante perante o grau de dificuldade apresentado? Certezas parece haver apenas uma. Independentemente da forma de Liedson, Hugo Almeida a titular será sempre um erro de casting.

Aguardo agora por reacções. É provável que se instale uma euforia desmedida, porque marcar por 7 vezes é sempre um feito assinalável, mais ainda quando recordamos deficiências de concretização frente a formações europeias de questionável valia, mas perfeitamente injustificável porque ninguém nos eu perfeito juízo poderá dizer que os problemas estão resolvidos. Mas o goal-avarage, ao que tudo indica, coloca Portugal nos oitavos de final, o que, digo eu, olhando a seleccionador e plantel, torna esta participação no Mundial positiva.

 

HOMEM DO JOGO: 19 TIAGO

publicado por N.T. às 14:55
editado por jabulani às 20:43
So não concordo com a titularidade do etíope-subnutrido
Barrotes a 21 de Junho de 2010 às 19:14
Também não é preciso gozar ou ofender.

O Liedson esforça-se, não é por aí. O que acontece é a falta de química que ele tem com os restantes jogadores do ataque nacional.
PP a 21 de Junho de 2010 às 19:41
Bom resumo N.T., mas...

1 - "Como seria contra outro adversário, menos macio, mais inteligente?"
Excelente questão! Mas, ao contrário do que possas pensar, penso que a dinâmica e entrosamento que aquele tridente do meio-campo tem e que acaba por saber ligar bem com o trio atacante que também este parece formar uma pequena sociedade deixa-me esperançoso.
Hoje na cidade do Cabo, penso mesmo que reeditámos não só o jogo do mundial de 1966, mas também o grande feito lusitânio de 1488, quando Bartolomeu Dias, conseguiu dobrar o cabo da boa esperança.

2 - "E talvez Miguel tenha ganho o lugar a Paulo Ferreira, mas será que o defesa do Chelsea não apresentaria trabalho semelhante perante o grau de dificuldade apresentado?"
Sinceramente, eu penso que não! Paulo Ferreira é vítima da sua polivalência. Porquê escrevo isto? Porque devido a estar constantemente a jogar em várias posições, acaba por não fixar-se numa e acentar raízes que o possibilitam jogar confiante. O Paulo Ferreira de hoje é bem diferente daquele Paulo Ferreira no Porto de 2003. Hoje, o que lhe salva muitas vezes é a sua raça e experiência. Mas, em termos de confiança está muito abaixo.
Também houve momentos que não apreciei o Miguel neste encontro. Contudo, a este tenho de lhe dar o benefício da dúvida de que não tem o ritmo competitivo que o Paulo Ferreira vinha a ter. De qualquer forma a sua exibição foi bem mais positiva que as que PF tinha vindo a efectuar.
Já agora, uma aposta como frente ao Brasil, iremos ter novamente o Paulo Ferreira à direita?

3- "Certezas parece haver apenas uma. Independentemente da forma de Liedson, Hugo Almeida a titular será sempre um erro de casting."
Sinceramente, não entendo porque escreves isso. Podes não gostar da forma de jogar do Hugo Almeida. Podes não gostar da forma como corre. Podes até não gostar do cabelo do rapaz. No entanto, temos de dar mérito a quem o tem e o faz por merecer. O homem foi um dos principais factores para que a nossa equipa resultasse ofensivamente. Tenho quase a certeza que se não fosse por ele jamais o jogo se teria tornado tão fácil. Ele ao contrário do que muita gente diz, talvez por ser alto e corpulento, ele tem muita velocidade. Ele hoje surpreendeu-me sobretudo por um aspecto que vinha-o criticando e que é o de não saber jogar de costas para a baliza. Hoje, frente a um central como o #13 norte coreano, um dos melhores daquela equipa, fez estragos, e que estragos. Para além disso, o facto de ser canhoto, vi-o a abrir imensas vezes o ataque, pelo que permitia a entrada de médios como Tiago e Raul Meireles na grande área adversária.
Com isto não quero dizer que o Liedson joga mal, não é isso. É tudo uma questão de saber colocar os ingredientes necessários para formar um belíssimo coktail.

Exibição 7 estrelas de Portugal
Gostei imenso deste encontro de Portugal. Não apenas pelo resultado, mas sobretudo pela dinâmica da equipa. Finalmente vi algum trabalho de treino colocado em campo (aquelas penetrações de Meireles e de Tiago são disso referências, assim como as jogadas pelas laterais).

O que eu gostava de ver nesta equipa nacional...
Porque sou exigente, e porque considero que poderiamos ter conseguido um resultado ainda mais histórico, i.e., chegar aos 10-0, por exemplo, gostava de:
i) ver este esquema de 4-3-3 (com um triângulo de meio-campo com um médio defensivo), com o Miguel Veloso por troca com o Pedro Mendes. Eu não gostei lá muito da exibição do Veloso. Penso que poderia ter aproveitado melhor a chance que o Queiroz lhe concedeu, mas apostava nele para médio defensivo, sobretudo com o momento de forma de Meireles e Tiago que combinam às mil maravilhas.
ii)Gostaria de experimentar um esquema de 4-3-3 (com o triângulo de meio-campo invertido, i.e., com um médio-ofensivo "10" ou segundo-avançado, um pouco como joga o Atlético de Madrid). Acho que este teria sido o jogo ideal para isso acontecer. Gostava de ver a "10" o "10" português, o Danny. Enfim, no fundo gostava de ver um trio de médios ofensivos/avançados formados por Danny, Simão e CR7 a jogarem em carrossel.

Frente ao Brasil...
... penso que é utilizar a velha máxima de "em equipa que ganha, não se mexe"!

PS: Parabéns Queiroz! Parabéns jogadores!
PP a 21 de Junho de 2010 às 19:25
Aproveito o teu comentário para esclarecer algo que, reparo agora, ficou ausente do texto. Eu nem acho que o Miguel tenha feito uma boa exibição. A questão é que teve pelo menos maior iniciativa que o Paulo Ferreira, daí a minha referência. Mas é como digo: tudo depende do opositor. E se Miguel tivesse jogado contra a Costa de Marfim e Paulo Ferreira hoje? Se calhar diria o mesmo trocando os nomes...

Quanto ao Almeida, eu acho que o que a equipa produziu ofensivamente dependeu de dois factores: o primeiro foi o bom jogo do Tiago e do Meireles, o segundo foi a natural quebra anímica dos coreanos. Tudo o que o Almeida faz, também o Liedson sabe fazer. E nem consigo valorizar o físico porque o brasileiro, apesar de franzino, nunca foge ao contacto e também sabe impôr a sua presença aos defesas. Eu até concordei com a convocatória do Almeida, mas acho que a sua utilidade se limita ao coração da área e ao seu jogo de cabeça. Quanto muito uma bola a jeito fora da área para poder disparar com o pé esquerdo.

N.T. a 21 de Junho de 2010 às 22:12
Se era para o jogo de cabeça, teria preferido que tivessem levado o Makukula. Aliás, fazia mais sentido nesta época o Makukula, mas enfim...

Bem, e essa do tudo o que o Hugo Almeida sabe fazer, o Liedson sabe... olha que não é bem assim! Para mim, o Almeida precisa de ser titular.

Como já tinha dito nos prognósticos, penso que o Liedson é interessante a entrar como entrou hoje e dependendo do decorrer do jogo.

Penso que muita gente tem uma opinião estereotipada do Hugo Almeida, pois ele embora não sendo um jogador doutro mundo, tem tudo para triunfar ao mais alto nível. Não é tão tosco como parece e é sobretudo a muleta ideal para jogadores como CR7, Danny, Simão e até Nani e Quaresma, que não estão presentes neste mundial.

A sua capacidade física onde alia potência e velocidade (ele não é lento!) com um bom pé esquerdo é quase única no futebol mundial actual.
PP a 21 de Junho de 2010 às 23:40
Acho que o Miguel teve mais iniciativa porque terá sido encorajado para isso mesmo. Enquanto que vs. Costa do Marfim o P. Ferreira terá tido indicações para ser mais posicional e a não subir pel afaixa acima a não ser pela certa. Dá-me toda a ideia disso. Em caso de dúvida, e dado que
1) o valor de Miguel e Ferreira é semelhante,
2) o Amorim ainda não foi chamado à equação da defesa direita;
a aritmética feita por CQ é simples. Adversário que permite balanceamento ofensivo: Miguel. Adversário que impõe cautelas: P. Ferreira.

Entre o Liedson e o Almeida, gosto mais do jogo que o Liedson impõe, além do rendimento medido em números que falam por si. Mas tenho visto mais cumplicidade entre os atacantes de Portugal quando o Almeida joga a titular. Acredito que o seleccionador, qualquer que seja, além de olhar ao rendimento individual de um jogador nos seus clubes, deva ter em muita conta a harmonia da equipa.
joe a 22 de Junho de 2010 às 12:06
Uma nota para os críticos nacionais do CR7 (que eu sei que existem...):

A FIFA tinha atribuído o prémio de melhor jogador do encontro ao CR7, o qual, muito justamente diga-se, fez questão de entregar ao Tiago!

Bonita atitude do capitão do "clube" Portugal.
PP a 21 de Junho de 2010 às 19:26

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