Sábado, 26 DE Junho 2010

Falar do imperador do futebol é falar de Franz Beckenbauer. O “Kaiser”, como era conhecido, foi uma alcunha ganha pela forma como jogava e fazia jogar na selecção ou no “seu” Bayern Munich. Percurso notável conseguido com muito suor e lágrimas. Pelo meio da caminhada vitoriosa, na história destes grandes nomes do futebol, há sempre um momento que é preciso renascer de uma derrota épica. Franz, venceu 1 campeonato do Mundo, 1 campeonato da Europa e ajudou o Bayern a vencer por 3 vezes a taça dos campeões europeus.

A estreia de Beckenbauer em Mundiais foi em 1966. De boa memória para outro grande jogador nacional, Eusébio, e de certa forma de má memória para os alemães que perderam a final contra a Inglaterra, de forma bem estranha! Mas como o próprio já mais tarde admitiu, com aquela idade ser vice-campeão mundial afinal não é assim tão mau. E já agora, porque mais tarde, melhores recordações apareceram na sua vida, no mundial da sua estreia ainda conseguiu marcar 2 golos numa vitória por 5-0 sobre a Suiça.

Beckenbauer definiu um estilo próprio. A sua forma de jogar como “libero”, que defendia muito bem, uma barreira quase intransponível e que quando tinha a posse de bole era o primeiro atacante da sua equipa, um impulsionador do jogo de ataque, formou uma nova realidade adorada por quase todos os que o viram jogar. Em 1970, de regresso aos Mundiais a sua presença foi tornada épica. A Alemanha nas meias finais jogava contra a Itália e a vitória valia uma lugar na final para defrontar o Brasil. Da época, dizia o jogador que “O torneio de 1970 foi magnífico. Os fãs eram fanáticos e a segurança do estádio não era tão intensa naqueles dias. Você podia fazer quase tudo o que quisesse. Havia apenas um policial armado que se sentava na entrada e vigiava todo o estádio. É claro que isso seria inadmissível actualmente. Naquele tempo, tudo era mais tranquilo. Os jogos no México eram cheios de cores. O país sorria e o futebol era uma dança”.

Desse jogo contra a Itália, um golo bem cedo dos Italianos levou a que a Alemanha tivesse de correr atrás do prejuízo. Não era fácil. As duas selecções praticavam um futebol muito directo, pouco exuberante mas pleno de eficácia. E com o golo madrugador da Itália, tudo seria bem mais complicado para os alemães. Mas estava para acontecer algo, que iria “imortalizar” este jogo. Beckenbauer lesionou-se, deslocando o ombro. Saiu do campo para ser assistido, provavelmente hoje em dia era substituído e não voltava mais. Mas o “Kaiser” não poderia abandonar os seus companheiros naquela “batalha”, regressou ao campo com o braço ao peito e ainda conseguiu que a sua selecção levasse o jogo a prolongamento, um golo a 6 minutos do fim. Nos 30 minutos que se seguiram de tempo extra, já com as duas selecções sem força e descontroladas tacticamente, o jogo resultou num 4-3 para a Itália. A Alemanha não conseguia chegar à final, mas Beckenbauer tinha chegado ao “Olimpo” dos imortais do futebol.

Em 1974, o Mundial jogou-se em casa, leia-se Alemanha. Beckenbauer tinha aos seus ombros, a responsabilidade de conquistar o título perante o seu público, e os germânicos não lhe permitiam outra coisa que não a vitória. O “Kaiser” jogou nesse mundial, numa posição revolucionada por ele, era um verdadeiro libero recuado. Ele organizava a equipa na retaguarda, mas avançava com ela quando era necessário, e simplesmente não sabia quando parar! Não se segurava! Com Beckenbauer, também Gerd Müller, Paul Breitner, Wolfgang Overath, entre outros, resistiram à pressão e levaram a Alemanha ao primeiro título mundial. O “Kaiser” levantava o novíssimo troféu, (em 1970, o Brasil venceu a Taça Jules Rimet, último a ser entregue), depois de uma vitória frente à Holanda por 2-1. Como na sua carreira, onde também teve de chorar e sofrer, nesta final, um novo herói estava na calha, de seu nome Cruyff! Lágrimas na coroação do eterno capitão da Alemanha. Em 1974, Beckenbauer era novo imperador do mundo!

publicado por Pedro Varela às 18:12
Quarta-feira, 23 DE Junho 2010

Mundial não é brincadeira. Um favorito entra com tudo no 1º jogo e é logo colocado no top mas ao 2º jogo apanha uma arbitragem estranha e um avançado que nem de penalti consegue marcar, perde o jogo e fica em dúvida a sua continuidade em prova.

Isto para dizer que a Alemanha entrou neste derradeiro jogo da 1ª fase algo nervosa e ansiosa. Não só pela saída de Klose, expulso contra a Sérvia, como pela inclusão emotiva de Boateng no lugar de Badstuber provavelmente para provocar o seu irmão que alinhou na equipa adversária. Foi a 1ª vez que dois irmãos se defrontaram num jogo de Mundial!

O jogo foi algo estranho porque a Alemanha esteve ao ataque mas nunca atacou com a força toda e o Gana esteve mais expectante confirmando a fama de Itália de África. As contas diziam que o Gana liderava o grupo e a Alemanha estava em 2º mas bastava um golo da Sérvia, que vinha embalada da vitória contra os alemães, para tudo mudar. Portanto corriam-se grandes riscos. O tempo ia passando e como no outro jogo não havia golos o ritmo entre alemães e ganeses era muito moderado sempre com os europeus em busca de um golo embora de forma não convincente. Tirando um ou outro ataque do Gana o jogo ia correndo perto da área africana.

Ao intervalo tudo a zero e uma ideia começava a ganhar forma: ficar em 2º do grupo não era mau porque assim evitava a Inglaterra. Mas o risco continuava a ser muito alto e por isso os alemães trataram de resolver a questão mais a sério e ao fim de 1h de jogo Oezil fez um golo tipicamente alemão, recepção fora da área e remate bomba a dar vantagem à sua equipa.

Foi um alívio para os vice campeões europeus que passaram a pensar melhor o jogo e a controlar também a classificação. E nem com os golos surpreendentes da Austrália os alemães mudaram de postura. É que na recta final do jogo um empate seria ironicamente e teoricamente favorável ao futuro da Alemanha que evitava para já o confronto  com os rivais ingleses.

Mas a mentalidade alemã é mesmo esta, nada de facilitismos e é para ganhar o grupo e venha quem tiver que vir. A imagem dos ganeses no banco a fazerem contas com os dedos é inesquecivel. Passaram a defender o 0-1 e não se importaram de terminar em 2º controlando o marcador do outro jogo.

A Alemanha não desiludiu e passou a fase de grupos pela 15ª vez, nunca foi eliminada nesta fase dos Mundiais. Agora é esperar por domingo pela primeira final antecipada e uma palavra para o Gana que acaba por ser a única equipa africana apurada conseguido assim superar a ausência de Essien, agora contra os Estados Unidos tudo é possível.

E os irmãos Boateng portaram-se bem em campo.

 

Melhor em Campo: 8 Mesut OEZIL

publicado por J.G. às 23:55

Football Fans Know Better

Na presente competição, a Alemanha já provocou sensações distintas: da vitória (do céu) fácil e vibrante sobre a Austrália, até à derrota (ao inferno) algo surpreendente frente à Sérvia. Para o jogo decisivo perante o Gana, adversário de respeito e líder do grupo D com 4 pontos, a dúvida coloca-se: que Alemanha teremos a oportunidade de observar? Estou em crer que estaremos diante de uma equipa autoritária e potente, embora com uma tarefa que se afigura complicada: exige-se que as habituais virtudes germânicas, máxima frieza e concentração, aliadas a um futebol mais latinizado, estejam a um nível apurado. À partida, essa face dominadora mais visível será suficiente para o objectivo chamado oitavos-de-final.

Estruturada em 4x2x3x1, Joaquim Low adoptou novos atributos associados a um futebol mais elaborado do ponto de vista técnico, porém sem descaracterizar a matriz habitual da Alemanha. Mantendo-se fiel à identidade futebolística de selecções antecessoras, o seleccionador tem conseguido esculpir um novo conceito futebolístico, assente em valores emergentes com uma abordagem ao jogo mais criativa. Refiro-me, obviamente, aos jovens talentos Mezut Ozil e Thomas Muller que, mesclados com jogadores mais experientes, dão um toque extra de rebeldia a um colectivo que sempre se regozijou por características mais disciplinadas, mas igualmente louváveis. Vale a pena desenvolver alguns pontos fundamentais que espelham a nova concepção da “Mannschaft”.

1. Entrosamento

Não me canso de enaltecer este aspecto: transferir sinergias dos clubes (princípios de jogo adquiridos) para a selecção contribui positivamente para o aumento da qualidade exibicional. No actual onze-base, normalmente titular, este registo de entrosamento encontra eco em vários jogadores do Bayern de Munique: Lahm, Badstuber, Schweinsteiger, Podolski e Klose, ou Mario Gómez. À primeira vista pode não parecer importante, mas em determinadas situações de jogo (passe – recepção – desmarcação) são detalhes que podem fazer a diferença. Curiosidade final: sabiam que os 23 seleccionáveis actuam todos na Alemanha? Em iguais circunstâncias, julgo que só a Itália.

2. Juventude

Em certa altura, principalmente após a conquista do mundial em 1990, a “Mannschaft” foi criticada por ser uma selecção envelhecida, com evidentes dificuldades de recrutamento (leia-se rejuvenescimento) de novos talentos emergentes. No presente, esta aposta tem dado os seus frutos, numa interessante mescla com alguma experiência, como se prova através do bom desempenho do Bayern de Munique na época que findou. Olhemos a alguns números (idade) relativos à equipa principal: Neuer (24), Lahm (26), Friedrich (30), Mertesacker (25), Badstuber (21), Khedira (23), Schweinsteiger (25), Muller (20), Ozil (21), Podolski (24) e Klose (31). A média de idades é bastante simpática: 24,5 anos. Por sua vez, se trocarmos Klose (castigado) por Mario Gómez (24), então a média ainda desce para 23,9 anos. A juventude, e sede de vencer, representam uma marca deste selecção.

3. Talento

Voltemos ao ponto de partida. O futebol alemão (de selecções) sempre teve uma imagem de marca: a de uma equipa no relvado profundamente cerebral, concentrada, eficiente, objectiva, organizada e rigorosa. Os adjectivos são vastos. A versão 2010 não perdeu, necessariamente, nenhuma destas características, mas acrescentou outras de elevada capacidade. Principais responsáveis: Muller e Ozil, os magos germânicos. Ainda muito jovens, pertencentes à nova fornada alemã, apesar de serem diferentes na tendência de jogo, ambos partilham de mais-valias associadas a aptidões como engenho, habilidade, imaginação e vocação ofensiva. Liberdade criativa em movimento.

Em suma, a ‘máquina’ alemã mantém-se robusta, porém guarnecida com modernos conceitos de jogos apoiados numa concepção futebolística mais atractiva: um ‘gadget’ de última geração, personificado na “Mannschaft” de Low.

publicado por stadium às 11:46
Sexta-feira, 18 DE Junho 2010

A Alemanha entrou em campo tranquila com a vitória do primeiro jogo. A Sérvia entrou determinada a recuperar os pontos perdidos da estreia e surpreendeu jogando no campo todo, defendendo muito alto, tirando espaços de passe a Ozil e contou com Krasic inspirado. E, por fim, um árbitro entrou em campo com vontade de estragar o jogo e aplicando uma nova regra que passa por mostrar amarelos a cada falta marcada. Assim, aos 37' a Sérvia tinha os dois laterais amarelados, e Alemanha tinha quatro jogadores com cartão amarelo! Nesse minuto Klose faz a sua segunda falta normal a meio do campo e recebe o 2º amarelo deixando a Alemanha com 10 em campo. No minuto seguinte a Sérvia aproveita o desnorte germânico e Krasnic vai à linha centrar para Zigic ganhar de cabeça na área e deixando a bola redonda para Jovanovic atirar fácil para golo.

E assim foi a Sérvia para o intervalo em vantagem.

Low optou por não mexer na equipa para a 2ª parte e a Sérvia entrou sem querer correr riscos. Assim foi sem surpresa que a Alemanha tomou conta do jogo e por volta da 1 hora de jogo Podolski deu um festival de como falhar golos. Além de dois remates que não foram à baliza falhou um penalti por mais uma mão sérvia (hoje foi Vidic) na grande área. Stojkovic defendeu o remate de Podolski!

A Sérvia só saía pela certa mas aos 66' Jovanovic arranca um excelente remate e só nã bisou porque poste direito de Neuer negou o 0-2.

Aos 71' Low , finalmente, mexe na equipa e tira Ozil e Muller apostando em Marin e Cacau repondo um avançado central na área. Isto enquanto o árbitro espanhol continuou a dar um festival de apito e cartões. A resposta da sérvia às substituições veio de imediato com uma cabeçada de Zigic à trave de Neuer após cruzamento de Krasic. Isto enquanto Antic optava , e bem, por ir refresecando o seu meio campo com Kacar e Petrovic. Como as alterações alemãs não resultaram em nada de positivo aos 77' Low arrisca tirar Badstuber e lança o avançado Gomez.

As alterações alemãs não deram resultados práticos no seu futebol ofensivo e a Sérvia continuava perto de fazer o 2º quando a 10' do fim Kacar finaliza para fora uma bela jogada atacante.

Os último dez minutos de jogo foram tranquilos para a Sérvia que controlou bem as tentativas da Alemanha em chegar ao empate mas a juntar à expulsão de Klose os alemães hoje também não contaram com o Podolski de Selecção que estão habituados.

Assim o Grupo D fica com as contas todas em aberto de uma maneira surpreendente!

 

 

Melhor em Campo: 17 Milos KRASIC

publicado por J.G. às 14:20
Domingo, 13 DE Junho 2010

Entrada em grande dos sempre candidatos alemães para não deixar dúvidas a ninguém que eles vão lutar pelo título. Havia alguma curiosidade para ver até onde podiam os australianos com a sua experiente equipa complicar a vida a uma Alemanha renovada e cheia de sangue fresco como se percebe pela inclusão de seis recentes campeões europeus sub21 nos 23 escolhidos. Destaque para Neuer na baliza, e Ozil que assinou exibição de enorme nível.

A diferença de média de idades entre os dois "onzes" é a maior de todos os Mundiais, com os alemães com 6 anos e 42 dias mais novos que os australianos, aliás esta é a equipa alemã com média de idade mais nova em 76 anos!

O jogo até começou bem para os australianos mas cedo se percebeu que Verbeek abordou muito mal o jogo deixando a Australia a jogar num 4-5-1 em que o avançado Cahill esteve sempre só e abandonado mostrando que o ataque dos cangurus era inexistente. No outro lado apareceu uma Alemanha muito bem organizada, muito motivada e apresentar um belo futebol longe de acusar a ausência do mestre Ballack e de outros lesionados que dizimaram a preparaçao para o Mundial.

Foi com naturalidade que Podolski abriu o marcador e que Klose fez o 2-0 de cabeça. Klose marcou no terceiro Mundial que joga e já leva 11 golos em Mundiais.

A experiência de Klose encontra equilibrio na juventude de Muller que também se estreou da melhor maneira com um golo e um passe para golo confirmando ser uma das maiores promessas do futebol europeu. Entretanto já a Austrália estava rendida com a expulsão do solitário Cahill após uma entrada por trás. Esta foi a 4ª expulsão em 8 jogos de Mundial, um record em campeonatos do mundo!

Com o jogo a correr tão bem deu para a Alemanha controlar o jogo e fazer rodar jogadores como Cacau que não precisou mais de 2 minutos em campo para marcar golo.

Alemanha entra em grande estilo assinando a primeira goleada da competição e deixa a promessa de mais uma carreira histórica.

 

Melhor em Campo: 10 Lukas PODOLSKI

 

 

 

publicado por J.G. às 21:47

Aproveito o balanço do excelente post do Nuno Tadeu para partilhar a minha preferência alemã em Mundiais.

É engraçado como o tempo passa e a vontade de contarmos a mesma história nunca desaparece e vai enriquecendo em ciclos de vida que nos vão envelhecendo mais depressa do que queríamos.

No fim dos anos 80 no Liceu de Benfica já toda a gente sabia que eu era o que torcia pela Alemanha já que eu levava vestida a camisola da mannschaft muitas vezes.

Mais tarde nos locais de trabalho por onde passei quando chegava o verão dos anos pares lá explicava porque torcia pelos Alemães.

Ao longo da vida vi sempre colegas e amigos torcerem pela Argentina, Brasil, Inglaterra ou Itália. Muito poucos encontrei que gostassem da Alemanha.

A minha vida ficou marcada pelo Mundial de 1982 em Espanha. Foi o primeiro torneio que acompanhei com atenção e foi aí que percebi que adorava ver futebol além do Benfica. Nesse ano já ia a todos os jogos na Luz e estava habituado a ver futebol e a um Benfica vencedor. O Mundial era um bónus para ver o futebol de outros países, ver jogadores que raramente podia ver, conhecer outros que só conhecia de jornais e revistas ou cadernetas.

Apaixonei-me pelo Brasil do Zico, Sócrates, Éder e Falcão. Sofri bastante na tarde em que a Itália afastou o Brasil porque senti que o futebol pode ser muito cruel. Continuei a seguir o torneio e sem Brasil os meus olhos brilhavam com o futebol de Littbarski, Rummenigge, Fischer, Breitner, Stielike, Hrubesch ou do grande guardião Schumacher.

Também gostei de ver os craques franceses e italianos e não esqueci a excelente Polónia de Boniek que assinou maravilhoso Hat trick contra a Bélgica. Mas o futebol alemão ficou-me na retina.

Depois seguiu-se o Euro'84 e delirei com a carreira de Portugal. Era a primeira vez que via a nossa Selecção numa fase final tão importante. Dois anos mais tarde em 1986 tive tempo para ficar desiludido com o circo de Saltillo. E foi com naturalidade que continuei a seguir o Mundial olhando só para os outros países.

Queria o sucesso do Brasil porque ainda não tinha esquecido os jogos de 1982. Mas o Marrocos-Portugal estragou tudo. Não achei piada nenhuma a ver os adeptos brasileiros no México a torcerem por Marrocos e a festejarem à grande a nossa segunda derrota! Nem o facto dos africanos serem treinados por um brasileiro me fez mudar de ideias. Senti ali uma traição.

Uns dias mais tarde vi o França-Brasil e quando vi Zico entrar e sacar um penalti que metade da equipa festejou como se tivesse sido um golo para depois o próprio Zico falhar pensei que a minha vida não era apoiar aquele futebol. Os franceses afastaram o Brasil nos penaltis e na minha preferência. Nessa altura já só tinha olhos para Maradona. Vi todos os jogos da Argentina e fiquei para sempre rendido a Diego Maradona.

No entanto nunca fiquei agarrado à selecção argentina. Adorava o Maradona e por isso gostava de ver a Argentina como gostava de ver o Barça ou o Nápoles, desde que Maradona estivesse lá.

 

Entre 1986 e 1988 a minha vida mudou muito, turbulências familiares que me fizeram ver a vida de outra maneira e conhecer pessoas mais velhas que me ajudavam a a crescer o necessário na altura. Uma dessas pessoas é um amigo de infância da minha mãe que ao saber da minha paixão pelo Benfica e por futebol aproximou-se e alimentou muita desta loucura. Contou-me histórias do seu benfiquismo e mostrou-me como era vivido o futebol na Alemanha onde ele vivia há 20 anos. Começou a trazer-me resumos gravados em VHS para eu conhecer a Bundesliga e alguns jogos da Alemanha. Passei a adorar o Hamburgo, cidade onde ele vivia, e alguns jogadores como o Klinsmann, na altura no Estugarda, ou o Matthaus, ou o grande Aughentaler.

O golpe final aconteceu no meu 15º aniversário quando ele me traz a novíssima camisola da Alemanha que tinha as cores da bandeira a atravessar o habitual branco. A camisola mais bonita que já vi em Mundiais chegou a Portugal uns meses antes de começar o Euro'88 que era jogado na Alemanha.

Quando começou o Euro'88 todos os meus colegas da Secundária de Benfica ficaram ruídos de inveja ao ver que eu já exibia aquela camisola há meses e que não se vendia por cá.

A Alemanha passou a ser a minha equipa mesmo porque , mais uma vez, em 1988 não houve apuramento português. O Euro'88 não correu muito bem porque a laranja mecância do Gullit levou tudo à frente mas a espera foi curta.

Em 1990 em Itália as camisola alemãs lá continuavam a espalhar encanto no Mundial com uma senhora equipa. Foi com euforia que festejei a carreira alemã e a vitória na final contra a Argentina. Revia-me tanto naquele futebol e naqueles jogadores. O trio interista Matthaus- Brehme - Klinsmann e todos os outros. Adoptei aquela selecção e o facto de ser sempre olhado de lado quando digo que torço por eles dá-me ainda mais gozo.

A partir daí compro quase sempre as camisolas alemãs e torço sempre por eles. Só no último Mundial é que fiquei triste quando Portugal caíu aos pés de Ballack e companhia.

Já não há Klinsmann mas houve sempre grandes jogadores na Alemanha que raramente deixaram mal quem os apoiou.

 

Com a evolução da Bundesliga e as naturalizações o futebol da selecção também se modificou e este ano apresenta uma mescla muito interessante de ser seguida. Há consagrados no meio de miúdos que o mundo nem conhece.

 

Hoje entra em campo a Alemanha e tal como acontece sempre desde 1988 eu vou torcer por eles. Tudo por causa do amigo Pedro Macedo a quem deixo aqui um forte abraço.

publicado por J.G. às 03:21
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Sexta-feira, 04 DE Junho 2010

Alemanha


Em todos os mundiais são sempre apontados como fortes mas nunca como principais favoritos. Porque não jogam um futebol bonito optando pela força física, pela frieza, e pelo rigor da disciplina os alemães são como que a ovelha negra entre as históricas candidatas à vitória final. Um dia Gary Lineker terá caricaturado da melhor forma o que é a selecção alemã nos jogos decisivos com a frase do 11 para 11 e no fim ganha a Alemanha. Ter 7 presenças em finais dá um peso histórico que Joachim Löw quer aproveitar dando continuação ao excelente trabalho que tem desde 2006 onde segurou um 3º lugar, conseguindo depois jogar a final do Euro 08 com a Espanha e agora na fase de qualificação apurou a Alemanha nas calmas com 8 vitórias, dois empates e nenhuma derrota!

A preparação para o Mundial tem sido um horror para os germânicos que têm sido dizimados por lesões: Heiko Westermann, Christian Traesch, o guardião Rene Adler, Simon Rolfes e Ballack, estão todos de fora da competição.

Apesar das ausências o novo campitão Lahm já veio dizer que o objectivo é chegar, no minímo às meias finais. E não há que duvidar da capacidade da mannschaft que conta com forte experiência na defesa com Mertesacker no centro e boas alternativas às ausências de vulto que devem passar pelo reposicionamento de Schweinsteiger mais para o meio e a aposta em Trochowski, Toni Kroos ou Mesut Özil. Depois na frente a Alemanha não tem problemas de finalização tal é a oferta: Cacau , Mario Gomez , Stefan Kiessling , Miroslav Klose , Lukas Podolski e  Thomas Müller que tem tudo para ser uma das grandes revelações do torneio.

Contem com eles até ao fim.

Jogador-chave: Bastian Schweinsteiger - Normalmente este espaço seria ocupado por Ballack mas uma polémica lesão priva a Alemanha do seu habitual capitão. Sendo assim os olhares centram-se em Schweinsteiger que aos 25 anos já tem mais de 70 internalizações e está apto para ser o farol da Alemanha usando o seu potente pontapé de longe, a sua técnica colada às linhas ou no meio a organizar jogo, tudo suportado numa forma física forte à boa maneira alemã.

 

Austrália


Em 2006 os australianos impressionaram com a sua inesperada passagem aos 1/8 de final deixando para trás a Croácia.  Depois encontraram a Itália e o mundo viu uma Austrália que resistiu com bravura até aos 95' altura em que o espanhol Cantalejo oferece um penalti que Totti não desperdiçou abrindo assim caminho à vitória italiana na competição.

Na altura era Guus Hiddink o treinador principal e a escola holandesa tem continuação no actual técnico, Pim Verbeek que aproveitou o convite para apurar pela 3ª vez a equipa do país dos cangurus.

O ponto forte da Austrália é o facto de ser composta na sua maioria por jogadores que muito evoluiram na europa nomeadamente no campeonato inglês. Conseguimos identificar com facilidade nomes familiares com Mark Schwarzer da baliza do Fulham, que aos 37 anos jogou a final da Liga Europa, Lucas Neill, agora no Galatasaray, Jason Cullina, de regresso ao seu país, Bresciano do Palermo, Harry Kewell também do Galatasaray e Tim Cahill estrela do Everton.

Não é impossível repetirem a presença nos 1/8 de final.

Jogador-chave: Tim Cahill - O médio que tem feito uma bela carreira em Inglaterra desde os 18 anos quando foi jogar para o mítico Millwall fez uma boa temporada no Everton e é figura de proa da sua selecção que já representou por 37 vezes apontando 19 golos, foi o melhor marcador da fase qualificação. O sucesso da Austrália em África passa pelos pés, pela inspiração das jogadas e passes construídos por Cahill.

 

Sérvia


A Sérvia é estreante em Mundiais isto porque em 2006 ainda foi um seleccionado da Sérvia e Montenegro que esteve presente. Antes era a Jugoslávia, sempre de futebol atraente, com a evolução do cenário político hoje temos a Sérvia à procura da sua identidade sendo a maior prova disso a inclusão de Dejan Stankovic, o craque do Inter, que vai participar pela 3ª vez no Mundial sempre com federações diferentes: 98 pela Jugoslávia, 2006 pela Sérvia e Montenegro e agora pela Sérvia. Quem os lidera é Radomir Antic que aos 60 anos recuperou a alegria de treinar e mostrou bem a sua força ao vencer o seu grupo de qualificação à frente de França, Áustria e Roménia!

Para atacarem o Grupo D a Sérvia apresenta fortes argumentos com uma defesa cheia de reconhecidos valores: Ivanovic (Chelsea), Nemanja Vidic (Manchester United),Aleksandar Lukovic (Udinese) e Aleksandar Kolarov (Lázio) o tal que Mourinho quer levar para Madrid. Todos devem fazer esquecer o "amigo" de Scolari Dragutinovic que é baixa de última hora.

Depois há o talento, a técnica e a irreverência da escola jugoslava herdada por Milos Krasic (CSKA), Jovanovic (Standard Liege), Kacar (Hertha) ou Petrovic (Partizan) que formam um meio campo que faz sonhar a nação sérvia. E na frente há esperança na finalização de Nikola Zigic (Valência), e do veterano Marko Pantelic (Ajax).

Para seguir com atenção.

Jogador-chave: Nemanja Vidic - Aos 28 anos é o esteio da defesa sérvia tal como acontece no Manchester United. Já a caminho da meia centena de jogos pela Sérvia, Vidic é uma das âncoras em quem Antic mais confia para dar equilíbrio tanto no jogo defensivo como nas suas habituais subidas à área contrário em lances de bola parada.

 

Gana

É dos países africanos o que mais tem evoluído nos últimos anos como se pode verificar pela excelente presença na Alemanha em 2006, só caíram nos 1/8 de final com o Brasil e já tinham batido americanos e checos, pela recente ida à final do CAN e por nova presença num Mundial. A maior curiosidade está reservada logo para o jogo de estreia em que defrontam a Sérvia país natural do seu treinador, Milovan Rajevac que mantém a tendência dos ganeses apostarem em técnicos daquela nacionalidade como tinha acontecido com Dujkovic em 2006.

Mas o futebol do Gana fazia muito mais sentido se Michael Essien estivesse em campo, só que a estrela do Chelsea não tem jogado desde Janeiro altura em que se lesionou no 1º jogo do CAN e acabou mesmo por não ser convocado.

Sem Essien as atenções viram-se para Muntari, Matthew Amoah e Asamoah Gyan e espera-se que soltem o perfume do seu futebol atacante salvaguardado por uma estrutura defensiva sempre muito forte que não sofre golos com facilidade.

A jogarem no seu continente e mesmo sem Essien o Gana poderá ser equipa a levar em conta no Grupo D.

Jogador-Chave: Sulley Ali Muntari - Sem Essien a escolha vai para o ala do Inter que já conta com meia centena de jogos pelo Gana, 16 golos, e aos 25 anos é uma das referências da equipa. Conta com a experiência de ter jogado o Mundial de 2006 e vai tentar não levar dois cartões amarelos em dois jogos como aconteceu na altura em que o privou de disputar o último jogo do grupo. Muntari será a chave para uma boa campanha ganesa.

 

Opinião

Num grupo onde há Alemanha a dúvida resume-se a saber quem será a segunda equipa a ser apurada para a próxima fase e não é fácil prever quem conseguirá fazer história. Uma vez que a Sérvia ainda procura a sua própria identidade e o Gana não conta com Essien talvez seja a Austrália que melhor pode aproveitar para repetir uma presença nos 1/8 de final.

publicado por J.G. às 01:17
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